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Em cada Ostra, uma nova descoberta

Mostra reúne artistas e público para contemplar e debater videoarte. Foto: Luísa Barichello/Agência Escola UFPR #AgenciaEscolaUFPR

Por Vinicius Fin Valginhak
Sob supervisão de Chirlei Kohls

Não se trata de um molusco e nem de um cineclube qualquer. O Ostra é um evento que junta
público e artistas para contemplar e debater videoarte. O nome surgiu a partir da retirada da
letra “m” da palavra mostra para remeter a questões de descoberta, abertura e produção de
riqueza através da arte. Os encontros do Ostra ocorrem uma vez por mês, sempre com
diferentes temáticas. A primeira edição foi no dia 22 de fevereiro e trouxe o trabalho “Arte e
Ocupação”, da artista Milla Jung, ao Departamento de Artes (DeArtes) da Universidade Federal
do Paraná (UFPR). A edição do mês de março acontece no dia 27, às 18 horas, no prédio do
Departamento de Artes (DeArtes) e traz o tema Videoarte & Feminismo: década de 1970.

Cinco vídeos produzidos a partir de oficinas realizadas durante as ocupações das escolas
secundaristas de Curitiba, em 2016, foram apresentados ao público. Dois dos principais pontos
levantados pelos alunos que estiveram na primeira edição do Ostra foram a descoberta de uma
nova forma de linguagem para produzir conteúdo e o tom crítico que uma obra pode tomar. “A
videoarte como forma de expressar arte e levantar reflexões era uma abordagem com a qual
eu não tinha muito contato e foi bastante interessante”, disse a caloura do curso de Artes
Visuais da UFPR Melina Satie Takeda.

Calouros do curso de Artes Visuais da UFPR participaram da primeira edição do Ostra. Da esquerda para a direita: Melina Satie Takeda, Débora Matias Santos e Gabriel Kleinke. Foto: Luísa Barichello/Agência Escola UFPR

Os vídeos produzidos por Milla Jung e por outros artistas participantes do Ostra serão exibidos
ao longo da programação da UFPR TV. E este é outro projeto: o Calhau. Com o objetivo de usar a televisão como espaço expositivo de arte contemporânea, o Calhau abrange o trabalho de curadoria, pesquisa e prospecção de videoarte, além de convidar artistas para participar das sessões do Ostra.

De acordo com o professor e coordenador dos projetos Ostra e Calhau, Felipe Prando, a
intenção dos dois projetos é atender a uma demanda de incentivo à cultura.

Comunicar arte através desses espaços atinge as pessoas, mexe com o imaginário coletivo, social. Criamos um espaço de troca e debate que transforma a forma das pessoas pensarem e agirem em relação ao mundo, diz o professor.

O Ostra é uma parceria da Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e
Cultural da UFPR com o Lab Livre, laboratório multimídia do DeArtes vinculado ao curso de
Artes Visuais, que também é responsável pela curadoria das obras e por convidar os artistas.

A arte como novas formas de se organizar

Pensar a arte não apenas como representação, seja em pinturas, esculturas ou objetos, mas
como a invenção de um modo de organização. Esta foi a proposta da tese de doutorado que
levou Milla até as escolas ocupadas para realizar oficinas de arte, enquanto buscava
compreender o modo de operação das instituições de ensino.

“As ocupações inventaram novos modos de organização. Os alunos, chamados de ocupas, já
estavam se colocando horizontalmente nas assembleias, desfazendo uma hierarquia a partir
dos jograis. Eles reformularam um espaço, uma instituição de ensino, a partir de outros usos
que não só o disciplinar”, explicou Milla. Entre outras observações, a doutora em Artes pela
Universidade de São Paulo (USP) também relatou a divisão de tarefas, desde manutenção e
limpeza das escolas, até funções que envolviam a segurança do espaço.

Videoartes exibidas na primeira edição do Ostra foram produzidos a partir das ocupações das escolas secundaristas de Curitiba, em 2016. Imagem: Divulgação

As ocupações de 2016 ocorreram em diversas universidades e escolas do país. O movimento
foi contra os projetos de lei da “Escola sem partido”, que buscava cercear a liberdade de
expressão e debate nas escolas; a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 241, que visava
o congelamento de gastos públicos em diversas áreas, incluindo educação; e da medida
provisória do novo ensino médio, que transforma disciplinas antes obrigatórias em opcionais.
A partir das trocas e das oficinas de arte realizadas nas escolas e de discussões sobre como a
arte pode ser usada para mudar a imagem de um movimento, desarmando o senso comum, a
artista desenvolveu diferentes roteiros, que resultaram nas cinco videoartes apresentadas na
primeira edição Ostra. Os vídeos foram produzidos após o fim do movimento e também podem
ser assistidos neste link.

Videoarte & Feminismo: década de 1970

A edição de março do Ostra é inspirada em uma declaração da artista e performer americana,
Joan Jonas. Em uma entrevista concedida ao The Guardian, na década de 70, a artista diz que
os novos meios digitais, principalmente o vídeo, não possuíam uma tradição firmada, criando
oportunidade para as mulheres se tornarem pioneiras na produção de arte nesses meios.

A mostra de vídeos contará com sete obras, todas produzidas por mulheres na década de 70.
Entre as obras estão performances de artistas consagradas como da própria Joan Jonas,
Marina Abramovic e da artista brasileira Letícia Parente.

Na roda de conversas, estarão presentes a professora de História da Arte e vice-diretora do
Setor de Artes, Comunicação e Design (Sacod), Stephanie Dahn Batista, e o organizador da
exposição e estudante do 4o ano do curso de Artes Visuais, Matheus Lopes.

A segunda edição do Ostra ocorre no dia 27 de março, às 18h, no prédio do Departamento de
Artes (DeArtes) e é aberta ao público.

Confira o evento na nossa página do Facebook e participe: https://www.facebook.com/events/2299251170341380/.

 

Agência Escola de Comunicação Pública e Divulgação Científica e Cultural da UFPR é um projeto técnico-científico do Setor de Artes, Comunicação e Design (SACOD) a partir de um convênio com a Funpar e tem na Superintendência de Comunicação e Marketing (SUCOM) um espaço privilegiado para realização do trabalho.

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